A presente exposição, na lógica local, tem por objetivo auxiliar-nos na evocação de uma peregrinação que passava por Estremoz e que marcou o cristianismo ocidental. Referimo-nos à peregrinação a Santiago de Compostela, Galiza, Espanha. A par de Roma e Jerusalem, Santiago de Compostela era o grande centro para onde confluiam os cristãos do mundo, para orar ao Apóstolo São Tiago, que supostamente ali teria sido sepultado.
A rota principal era o chamado Caminho Francês. Este caminho era como que uma grande via com pontos de apoio aos peregrinos (Mosteiros, Igrejas e Albergarias), que lhes providenciava hospedaria, refeições quentes, cuidados “médicos” e segurança, e que além de peregrinos trazia comerciantes, artesãos e mestres pedreiros que mudaram a face da Península Ibérica.
Outro caminho relevante seria o Caminho Inglês, o qual depois se fazia ao mar pela Corunha e daí seguia até Compostela.
Quanto ao Caminho Português, sabemos que haviam duas rotas que eram as mais utilizadas. Uma que seguia o litoral e outra que serpenteava pelo interior.
Estremoz seria zona de atracção para duas rotas secundárias que depois seguiam para Norte, até à Galiza. Uma que vinha por Elvas e outra que vinha do Algarve. Esta última partia de Tavira/Faro, seguia por Beja, Évora, Evoramonte, Estremoz, Fronteira, Alter do Chão, Crato, Alpanhão, Castelo de Vide, Nisa, Castelo Branco, Covilhã, Guarda, Trancoso, Sernancelhe, Lamego, Poiares, Vila Real, Vila Pouco de Aguiar, Chave, Ourense e finalmente Santiago de Compostela.
A toponomia estremocense está marcada por este caminho. Recordemos o bairro de Santiago e a Igreja da mesma evocação, ou aqui na zona Santiago de Rio de Moinhos. Na Idade Média existiria também uma albergaria neste bairro de Estremoz, provavelmente poderia mesmo funcionar como apoio aos peregrinos.
A mostra, composta por pintura, escultura e fotografia de autores portugueses e galegos, já foi apresentada na Figueira da Foz, Lisboa, Miranda do Corvo, Oliveira de Azemeis, Porto, Góis, Santiago de Compostela, Reguengos de Monsaraz, Portel, Cuba, Alvito e Vidigueira, sendo uma organização da Associação de Amizade Galiza-Portugal com os municipios onde fica patente.
Estará patente de 22 de Janeiro até 01 de Abril na Sala de Exposições Temporárias do Centro Cultural Dr. Marques Crespo (afeta ao Museu Municipal de Estremoz), sendo a entrada gratuita.

3 comentários:
Temos pena que os responsáveis por este tipo de actividades - e, atente-se, responsáveis por instituições culturais com obrigações de fazer chegar aos seus utilizadores informações fidedignas e devidamente trabalhadas - não tenham o cuidado de recorrer a alguma bibliografia antes de escreverem asneiras como a seguinte:
"A presente exposição, na lógica local, tem por objetivo auxiliar-nos na evocação de uma peregrinação que passava por Estremoz e que marcou o cristianismo ocidental. Referimo-nos à peregrinação a Santiago de Compostela, Galiza, Espanha. A par de Roma e Jerusalem, Santiago de Compostela era o grande centro para onde confluiam os cristãos do mundo, para orar ao Apóstolo São Tiago, que supostamente ali teria falecido."
Esta do Apóstolo ter falecido em Santiago... Será que consultaram o atestado de óbito?
Ovídio de Sousa Vieira / Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima (Caminho Português de Santiago - Caminho Central)
A tradição é de que o Apóstolo Santiago esteja sepultado na Galiza, nunca que ali teria falecido.
O seu martírio é descrito nos Actos dos Apóstolos, 12, 2 - E matou à espada Tiago, irmão de João.
Tem os dois comentadores toda a razão pelo reparo.
As nossas desculpas pelo erro, o qual vai ser imediatamente corrigido.
Enviar um comentário